29 de Junho de 2025

Traumas relacionais e relações de vinculação: um olhar clínico 

O trauma é um tema amplamente investigado desde as origens da Psicologia, tendo sido estudado sob várias perspectivas ao longo do tempo. De um modo geral, o trauma psicológico pode ser entendido como a resposta emocional à vivência súbita de uma situação percebida como extremamente angustiante ou ameaçadora à segurança e bem-estar de uma pessoa. 

O impacto de experiências traumáticas tem sido investigado em várias dimensões, incluindo no bem-estar psicológico, no desenvolvimento humano e nas relações interpessoais. Estudos têm revelado que acontecimentos traumáticos podem ter efeitos ao nível cognitivo e da personalidade, na regulação dos afectos e do comportamento, bem como no auto-conceito (Cook et al., 2005). 

Uma conclusão que parece consensual entre os diversos estudos acerca deste tema é que a maioria dos traumas que se observam em contexto clínico são traumas interpessoais, ou seja, que ocorrem no contexto de relações de vinculação (van der Kolk, 2014). Mas em que consiste a vinculação? 

A teoria da vinculação, proposta por John Bowlby, descreve a importância das primeiras relações emocionais que uma criança estabelece com suas figuras cuidadoras, geralmente os pais. A ideia central é que, quando as necessidades emocionais da criança são atendidas de forma consistente e sintonizada, esta desenvolve um vínculo seguro. Quando os cuidadores são inconsistentes, negligentes ou abusivos, a criança pode desenvolver um vínculo inseguro, o que pode gerar dificuldades emocionais e interpessoais ao longo da vida. Neste sentido, experiências de perda, negligência ou violência podem gerar traumas que impactam a saúde mental e o estabelecimento de relações interpessoais saudáveis (Bowlby, 1979). 

Em conclusão 

Traumas não resolvidos podem conduzir a ciclos relacionais repetitivos e desadaptativos. Por exemplo, uma pessoa que cresceu num ambiente emocionalmente instável e desenvolveu um padrão de vinculação inseguro pode ter dificuldades em formar relações estáveis na vida adulta, o que pode reactivar traumas antigos ou abrir espaço a novos. Estes ciclos podem ser compreendidos, e consequentemente interrompidos, com a ajuda de um acompanhamento psicológico, realizado por um profissional especializado. 

Como é que a Psicologia/Psicoterapia pode ajudar nestes casos? 

Através da relação empática e de intervenções psicoterapêuticas específicas, é possível: 

  1. Ajudar a compreender e a processar experiências traumáticas (passadas e actuais); 
  2. Desenvolver um vínculo seguro e reparador, no contexto da relação terapêutica; 
  3. Entender o impacto dessas experiências traumáticas na própria pessoa e no modo como se relaciona com os outros. 
  4. Possibilitar a construção de vínculos seguros e de relações interpessoais saudáveis. 

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Referências bibliográficas: 

Bowlby, J. (1979). The making and breaking of affectional bonds. London: Routledge. 

Cook, A., Spinazzola, J., Ford, J., Lanktree, C., Blaustein, M., Cloitre, M., DeRosa, R., Hubbard, R., Kagan, R., Liautaud, J., Mallah, K., Olafson, E., & van der Kolk, B. (2005). Complex trauma in children and adolescents. Psychiatric Annals, 35, 390-398. 

Van der Kolk, B. A. (2014). The body keeps the score: Brain, mind, and body in the healing of trauma. New York, NY: Penguin Books.